Mercado de Renda Variável - Mercados BOVESPA - Mercado Futuro de Ações
INTRODUÇÃO
Os Mercados Futuros no mundo têm sua história diretamente
vinculada à necessidade de administração do risco de alterações nos preços dos
ativos, originalmente commodities e, mais recentemente, também ativos
financeiros.
A busca por proteção aos preços agrícolas era grande desde os
tempos medievais, tendo-se notícias de que a realização de acordos contratuais
entre indivíduos para pagamento e entrega numa data futura já era significativa
nas feiras medievais da Europa do século XII.
Entretanto, o Mercado Futuro organizado só teve início em 1848,
quando foi criada a Chicago Board of Trade, negociando contratos de milho. Até
o princípio da década de 70, os negócios com mercadorias representavam a quase
totalidade dos negócios realizados em mercados futuros organizados.
O ponto de partida da negociação de ativos financeiros no
Mercado Futuro deu-se em 1973, com o lançamento do International Monetary
Market pela Chicago Mercantile Exchange, negociando contratos futuros de câmbio.
No Brasil, a primeira bolsa a transacionar contratos futuros foi
a Bolsa de Mercadorias de São Paulo, em 1918, negociando, inicialmente,
contratos de algodão.
Já a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, em 1979, foi pioneira
nas negociações no Mercado Futuro de Ações no Brasil, mercado que chegou a
responder por 84,3% do volume total movimentado nessa bolsa em 1981.
Entretanto, a atuação conjunta de uma série de fatores levou à
queda gradativa das negociações no Mercado Futuro de Ações brasileiro, cujas
atividades foram encerradas em meados de 1986 em São Paulo e no início de 1987
no Rio de Janeiro.
No final da década de 90 e início dos anos 2000, a movimentação
de importantes bolsas internacionais aponta para o ressurgimento desse mercado.
Nesse sentido, tem-se futuros sobre ações sendo negociados na
Sydney Futures Exchange SFE, desde 1994; Hong Kong Stock Exchange HKEX
(1995); Bolsa de Valores de Lisboa e Porto (1997); Budapest Stock Exchange
(1998); London International Financial Futures and Options Liffe (2001);
Bourse de Montréal (2001); Mercado Oficial Español de Futuros y Opciones MEFF
(2001); na South African Futures Exchange e Euronext, entre outras.
Características comuns a todas é que os papéis negociados no
Mercado Futuro de Ações são também transacionados no mercado de opções sobre
ações e o vencimento de opções e futuro ocorre na mesma data, indicando a
complementaridade dos dois mercados e a possibilidade de negociação de
interessantes estratégias operacionais envolvendo a combinação de operações a
futuro com o mercado a vista, com opções e com o futuro de índice, entre outras
alternativas.
Além disso, em maio de 2001, importantes bolsas norte-americanas
anunciaram a criação de uma joint venture visando à implantação de um
Mercado Futuro de Ações que proporcione maior eficiência à negociação de ações,
empréstimo de títulos e atividades de hedging. Simultaneamente,
outra iniciativa importante foi a celebração de acordo entre a Liffe e a Nasdaq
para desenvolver o Mercado Futuro de Ações baseado em ações globais para
investidores americanos e europeus.
E foi justamente nesse momento, no cumprimento de sua missão de
proporcionar aos participantes do mercado um instrumento de derivativos de
ações seguro e eficiente, e visando a colocar-se pari passu com os
desenvolvimentos verificados nas bolsas dos centros financeiros internacionais,
que a BOVESPA mobilizou-se no sentido de implantar a negociação de futuro de
ações no Brasil.
DEFINIÇÃO
Uma operação no Mercado Futuro de Ações da BOVESPA compreende a
compra ou a venda de ações listadas em Bolsa, a um preço acordado entre as
partes, para liquidação em uma data futura específica, previamente autorizada.
Normalmente, o esperado é que o preço do contrato futuro de uma
determinada ação seja equivalente ao preço a vista, acrescido de uma fração
correspondente à expectativa de taxas de juros entre o momento da negociação do
contrato futuro de ações e a respectiva data de liquidação do contrato.
POR QUE PARTICIPAR DO MERCADO FUTURO DE AÇÕES?
A experiência recente tem demonstrado que futuros baseados em
ações individuais têm a capacidade de trazer para o mercado de ações o que os
contratos futuros baseados em commodities e outros ativos financeiros
proporcionam aos seus respectivos mercados a vista: maiores oportunidades de
negociação, maior liquidez e transparência nos preços, resultando em um mercado
mais eficiente para os investidores.
O Mercado Futuro de Ações amplia as oportunidades de maximização
da performance dos investimentos, propiciando, em muitos casos, negociação com
custos, facilidade e eficiência bastante atrativos quando comparado a outros
mercados. Senão vejamos:
BENEFÍCIOS DA NEGOCIAÇÃO COM FUTUROS DE
AÇÕES
A introdução do Mercado Futuro de Ações
aumenta o espectro de oportunidades de negociação disponíveis aos investidores
no mercado acionário. Por exemplo:
Maiores retornos
O preço de um contrato futuro de ações
muda de acordo com a variação de preço da ação subjacente no mercado a vista.
Como ambos podem ser negociados a qualquer momento durante o período de
negociações do dia, qualquer ganho obtido no valor do investimento pode ser
imediatamente realizado por meio do fechamento da posição a futuro.
Os retornos percentuais relativos à
posse das ações e dos contratos futuros dependem do tamanho do dispêndio
inicial. Assim, quando da compra de uma ação no mercado a vista, seu valor
total deve ser pago ao vendedor. Quando da compra de um contrato futuro, o
dinheiro não muda de mãos entre o comprador e o vendedor. Em vez disso, um
depósito de margem é requerido para prover segurança ao mercado. O nível de margem
necessário é definido pela Companhia
Brasileira de Liquidação e Custódia - CBLC e varia de acordo com a
volatilidade do papel no mercado a vista, tornando o dispêndio inicial menor
para os contratos futuros.
Exemplo:
A ação A está cotada
atualmente no mercado a vista a R$ 100,00 por ação, e seu contrato futuro para
daqui a três meses está cotado a R$ 104,50. Para comprar a ação no mercado a
vista, é necessário pagar os R$ 100,00. Para comprar um contrato futuro, R$
9,40 precisam ser depositados como garantia. Alguns dias depois, o preço a
vista subiu para R$ 110,00 e o contrato futuro, para R$ 114,50. Os retornos são
os seguintes:
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Mercado |
Mercado Futuro |
|
Preço de abertura |
R$ 100,00 |
R$ 104,50 |
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Preço de fechamento |
R$ 110,00 |
R$ 114,50 |
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Ganho líquido |
R$ 10,00 |
R$ 10,00 |
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Investimento inicial |
R$ 100,00 |
R$ 9,40 |
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Retorno |
10,0% |
106,4% |
O retorno do investimento no Mercado
Futuro de Ações é muito maior, uma vez que apenas uma fração do valor das ações
é requerida antecipadamente, o que é denominado de alavancagem.
Vantagem de uma queda nos preços
Um investidor que acredita que os
preços de uma determinada ação irão cair pode se beneficiar dessa queda por
meio da venda de contratos futuros. Não há necessidade de possuir as ações para
agir dessa forma. Basta efetuar o depósito de garantias. Depois, se a
expectativa do investidor se concretizar e à medida que o preço do papel no
Mercado Futuro de Ações cair, o vendedor de contratos futuros irá auferir um
retorno positivo, comprando o contrato a futuro por valor inferior ao que
vendeu.
Exemplo:
A ação B está cotada
atualmente a R$ 100,00 por ação no mercado a vista. Seu contrato futuro para
daqui a três meses está cotado a R$ 104,50. O investidor acredita que o preço
da ação irá sofrer uma queda. Nesse sentido, vender a ação B
no Mercado Futuro de Ações permite que o investidor se beneficie de sua
previsão de queda nos preços.
Duas semanas depois, a ação está cotada
a R$ 83,00 e o contrato futuro, a R$ 86,00. O investidor, então, compra a ação B
no Mercado Futuro de Ações para encerrar sua posição. Essa transação resultou
em um retorno positivo de R$ 18,50.
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Mercado Futuro de Ações |
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Preço de abertura |
R$ 104,50 |
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|
Preço de fechamento |
R$ 86,00 |
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|
Ganho na posição vendida |
R$ 18,50 |
Vendendo um contrato futuro, o
investidor tem um retorno positivo a partir de uma queda de preços no mercado a
vista.
Posição de hedge
Quando o detentor de ações prevê uma
queda de preços nos seus papéis, pode vender contratos futuros para evitar
tanto os prejuízos como a efetiva venda das ações que possui. Desse modo,
qualquer perda causada por uma queda no preço a vista do papel é compensada
pelo ganho na posição vendida no Mercado Futuro de Ações.
Exemplo:
A ação C está cotada
atualmente a R$ 100,00 por ação. Um investidor que possui 1.000 ações C
prevê que esse preço cairá. Ele vende contratos futuros por R$ 102,50. Um mês
depois, a ação está cotada a R$ 97,00 e o preço no Mercado Futuro de Ações é de
R$ 99,20. O investidor encerra sua posição vendedora por meio da compra das
ações no Mercado Futuro de Ações. As ações tiveram seu preço reduzido em R$
3,00 e os futuros, em R$ 3,30. Tendo vendido contratos futuros, o investidor
ganha com essa queda.
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Mercado a Vista |
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Por ação |
Valor |
|
Preço de abertura |
R$ 100,00 |
R$ 100.000,00 |
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Preço de fechamento |
R$ 97,00 |
R$ 97.000,00 |
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Perda no mercado a vista |
R$ 3,00 |
R$ 3.000,00 |
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Mercado Futuro de Ações |
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Por ação |
Valor |
|
Preço de abertura |
R$ 102,50 |
R$ 102.500,00 |
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|
Preço de fechamento |
R$ 99,20 |
R$ 99.200,00 |
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Ganho no Mercado Futuro de Ações |
R$ 3,30 |
R$ 3.300,00 |
O ganho da posição no Mercado Futuro de
Ações compensou a perda no mercado a vista.
Assumindo uma posição na performance
relativa de duas ações
Os contratos futuros permitem aos
investidores se beneficiarem da performance relativa de uma ação vis-à-vis
outra ação. Isso é alcançado por meio da compra a futuro de uma
determinada ação e da venda a futuro de outra ação. O ganho ou perda global
depende da performance relativa das duas ações. Esse tipo de negociação é
conhecido como pairs trade (negociação em pares).
Similarmente, é possível assumir uma
posição na performance relativa de uma ação versus um índice do
mercado, por meio da compra de ações a futuro e da venda de índices a futuro
(ou vice-versa).
Exemplo:
Um investidor prevê que a ação D
terá uma performance melhor do que a ação E nos próximos meses. Os preços das
ações e dos contratos futuros são os seguintes:
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Ação D |
Ação E |
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Preço no mercado a vista |
R$ 100,00 |
R$ 80,00 |
|
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|
Preço no Mercado Futuro de Ações |
R$ 101,25 |
R$ 81,00 |
O investidor compra a futuro 20.000
ações D e vende a futuro 25.000 ações E. Essa
diferença de quantidades de ações negociadas garante que cada posição
represente o mesmo volume financeiro, ou seja, R$ 2.025.000,00.
Após algumas semanas, os preços são os
seguintes:
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|
Ação D |
Ação E |
|
Preço no mercado a vista |
R$ 90,00 |
R$ 68,00 |
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|
Preço no Mercado Futuro de Ações |
R$ 91,00 |
R$ 68,80 |
Ambas as ações apresentaram uma queda
de preço, mas a ação E em maior proporção (10% da ação D
no mercado a vista contra 15% da ação E). O investidor realiza
um prejuízo de R$ 10,25 na compra a futuro da ação D,
perfazendo um valor de R$ 205.000,00. O ganho com a venda da ação E
a futuro foi de R$ 12,20 por contrato, ou R$ 305.000,00. O ganho líquido, nesse
caso, foi de R$ 100.000,00.
Mudança de exposição em ações
Um investidor que possui uma ação
específica pode mudar sua exposição de mercado para outra ação por meio da
venda da ação que possui no Mercado Futuro de Ações, simultaneamente à compra
de futuros da ação desejada. Essa transação muda a exposição do investidor sem
a necessidade de uma operação no mercado a vista.
Exemplo:
Um investidor possui 10.000 ações da
empresa F, mas acredita que as ações da empresa G
apresentarão melhor rentabilidade nos próximos dois meses. Os preços das ações
são:
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Ação F |
Ação G |
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Preço no mercado a vista |
R$ 100,00 |
R$ 66,80 |
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Preço no Mercado Futuro de Ações |
R$ 101,60 |
R$ 67,90 |
O investidor vende 10.000 ações F
no Mercado Futuro de Ações e compra 15.000 ações G a futuro.
Operando tais quantidades, o volume contratado de F e G
é praticamente o mesmo, ou seja, R$ 1.016.000,00.
Após dois meses, os preços são:
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Ação F |
Ação G |
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Preço no mercado a vista |
R$ 105,00 |
R$ 73,50 |
|
|
||
|
Preço no Mercado Futuro de Ações |
R$ 105,85 |
R$ 74,10 |
A ação F teve uma
valorização de 5%, enquanto a ação G valorizou-se 10% no
período. O investidor manteve suas 10.000 ações da empresa F,
que va-liam R$ 1.000.000,00. Os retornos são os seguintes:
|
Ações F a vista |
(105,00 - 100,00) * 10.000 |
R$ 50.000,00 |
|
|
||
|
Futuros sobre F |
(-105,85 + 101,60) * 10.000 |
-R$ 42.500,00 |
|
|
||
|
Futuros sobre G |
(74,10 - 67,90) * 15.000 |
R$ 93.000,00 |
|
|
||
|
Total |
R$ 100.500,00 |
|
O ganho líquido de R$ 100.500,00 é
igual a 10% do valor das ações que o investidor possuía originalmente (F)
e equivalente ao retorno da ação G (10%).
QUE TIPO DE INVESTIDOR ATUA NO MERCADO
FUTURO DE AÇÕES?
O Mercado Futuro de Ações é apropriado
para todos os tipos de investidores, desde o investidor individual até uma
vasta gama de investidores profissionais ou institucionais, como os fundos de
investimento, fundos de pensão, administradores de carteiras, entre outros.
Compradores e vendedores no Mercado
Futuro de Ações podem ser tanto hedgers, aqueles que detêm ações e
buscam proteção contra um movimento adverso nos preços das mesmas no mercado a
vista, por meio da abertura de uma posição a futuro oposta à detida a vista,
como especuladores, aqueles que têm por objetivo realizar ganhos com os
movimentos de preço no futuro.
Os investidores do Mercado Futuro de
Ações devem estar cientes dos riscos desse mercado e do valor que podem perder,
como em qualquer outra aplicação nos mercados derivativos.
Devem considerar em sua análise de
risco, entre outros fatores, a situação econômico-financeira do País e da
empresa emissora das ações subjacentes, a expectativa da taxa de juros, bem
como a negociação da própria ação subjacente nos demais mercados da BOVESPA.
Além disso, uma vez definida a
estratégia de negociação, os investidores devem estar perfeitamente
esclarecidos sobre os riscos de o mercado apresentar comportamento contrário às
suas expectativas e suas conseqüências sobre suas posições no Mercado Futuro de
Ações.
Para tanto, antes de atuarem no Mercado
Futuro de Ações, devem procurar as Sociedades Corretoras por meio das quais
operam e esclarecer todas as dúvidas sobre os riscos envolvidos em suas
operações.
MERCADO FUTURO DE AÇÕES NA BOVESPA
O Mercado Futuro de Ações da BOVESPA
enquadra-se na modalidade "com ajuste diário de perdas e ga-nhos", ou
seja, diariamente, todas as posições em aberto são avaliadas em relação a um
preço de referência calculado para cada papel, conhecido como preço de ajuste
do dia.
Essa verificação tem procedimentos
diferentes para posições abertas no dia e para posições abertas em pregões
anteriores.
Assim, para posições abertas no dia, o
preço de ajuste do dia é confrontado com o preço do próprio negócio realizado
em pregão pelo investidor.
Se o preço de ajuste do dia for
superior ao preço do negócio realizado no dia pelo investidor, significa que:
Se o preço de ajuste do dia for
inferior ao preço do negócio, significa que:
Já para as posições abertas em pregões
anteriores, é feita a comparação entre o preço de ajuste do dia e o preço de
ajuste do dia útil imediatamente anterior.
Exemplo:
O investidor comprou, hoje, D0, no
Mercado Futuro de Ações, 1.000 ações PETR4 por R$ 56,00 por ação, com
vencimento para o próximo mês. O preço de ajuste do dia, calculado após o
fechamento do pregão, foi de R$ 55,92.
Neste caso, tem-se:
|
Preço da compra |
R$ 56,00 |
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Preço de ajuste do dia |
R$ 55,92 |
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Ajuste: |
-R$ 80,00 |
Ou seja, o comprador a futuro, no dia
seguinte, em D+1, será debitado em R$ 80,00 na sua conta, uma vez que comprou
por um preço superior ao preço de referência do dia. Já o vendedor terá um
crédito de R$ 80,00 em sua conta, correspondente ao ga-nho que auferiu com sua
operação.
Se, após o encerramento das negociações
do dia seguinte, D+1, o preço de ajuste for de R$ 56,30 e os investidores
mantiverem as mesmas posições do dia anterior, então, a situação será a
seguinte:
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Preço de ajuste do dia |
R$ 56,30 |
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Preço de ajuste do dia anterior |
R$ 55,92 |
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Ajuste: |
+R$ 380,00 |
Neste caso, o comprador será creditado
em R$ 380,00, porque sua posição está valorizada em relação ao dia anterior, e
o vendedor será debitado em R$ 380,00, pelo motivo inverso.
PREÇO DE AJUSTE DIÁRIO
É o preço de cada ação, no Mercado
Futuro de Ações, que será utilizado para efeito de cálculo do valor do ajuste
diário.
O preço de ajuste diário é calculado
após o encerramento das negociações do dia, para cada papel e cada vencimento
negociado no Mercado Futuro de Ações.
Ele corresponde ao preço médio do papel
no Mercado Futuro de Ações apurado no período de negociações da tarde.
Caso a ação não tenha sido
transacionada no Mercado Futuro de Ações no período da tarde, mas houve negócios
com a mesma no período da manhã, então o preço de ajuste do dia será o preço
médio do dia no Mercado Futuro de Ações.
Se o papel não foi negociado no dia no
Mercado Futuro de Ações, não sendo possível, portanto, o cálculo do preço de
ajuste do dia, mas foi transacionado no mercado a vista, então a BOVESPA
arbitrará esse valor e o divulgará ao mercado.
Caso a ação não tenha sido negociada no
mercado a vista nem no Mercado Futuro de Ações, então o preço de ajuste do dia
corresponderá ao último preço de ajuste existente para aquela ação/vencimento.
A arbitragem do preço de ajuste leva em
conta o preço a vista acrescido de uma taxa de juros livre de risco, pelo
período compreendido entre a data da arbitragem e de vencimento do contrato.
É importante ressaltar que, em casos
excepcionais, a BOVESPA poderá estabelecer um preço de ajuste diário com base
em outros critérios, caso conclua que tal procedimento deve ser adotado para
assegurar o funcionamento eficiente e regular do Mercado Futuro de Ações.
VALOR DO AJUSTE DIÁRIO
É a diferença diária, positiva ou
negativa, que será paga ou recebida pelos investidores posicionados no Mercado
Futuro de Ações, obtida pela comparação dos preços de ajuste de dois pregões
consecutivos, ou entre o preço de ajuste e o preço do negócio a futuro
realizado no dia.
O valor do ajuste é calculado
diariamente, após o encerramento das negociações do dia, e também diariamente
os investidores recebem ou pagam o valor referente às perdas ou ganhos
auferidos com suas posições a futuro.
As posições no Mercado Futuro de Ações
são ajustadas desde o dia de sua abertura até o dia de vencimento, inclusive.
O lucro ou prejuízo correspondente a
determinado dia deve ser acertado no primeiro dia útil imediatamente posterior
e os acertos são realizados exclusivamente em dinheiro.
Nesse sentido, é importante que, antes
de operar no Mercado Futuro de Ações, o investidor esteja seguro de que pode
arcar com os compromissos financeiros decorrentes de suas posições mantidas em
aberto nesse mercado.
Eventuais falhas no acerto dos ajustes
diários devidos, em função de movimentos adversos nos preços, implicam o fechamento
compulsório de suas posições pela Corretora responsável pela operação.
Para operações realizadas no dia, o
valor do ajuste corresponde à diferença entre o preço de ajuste do dia e o
preço do próprio negócio, multiplicado pela quantidade de ações a futuro.
Equalização das operações realizadas no
dia:
VAa
= (PAa - PNa)* Qa
onde:
VAa = Valor do ajuste da ação
"a"
PAa = Preço de ajuste da ação "a"
PNa = Preço do negócio a futuro com a ação "a"
Qa = Quantidade de ações
Para os negócios abertos até o dia
anterior, o valor do ajuste diário corresponde à diferença entre o preço de
ajuste do dia e o preço de ajuste do dia anterior, multiplicado pela quantidade
de ações.
Ajuste das posições abertas até o dia
anterior:
VAa = (PAat - PNat -1
)* Qa
onde:
VAa = Valor do ajuste da ação
"a"
PAat = Preço de ajuste do dia da ação "a"
PNat -1 = Preço de ajuste do dia anterior da ação "a"
Qa = Quantidade de ações
AÇÕES NEGOCIADAS NO MERCADO FUTURO DE
AÇÕES
Somente as ações previamente
autorizadas podem ser negociadas no Mercado Futuro de Ações.
Diariamente, a BOVESPA divulga a
relação de empresas autorizadas à negociação no seu Mercado Futuro de Ações,
por meio de jornais, Boletim Diário de Informações, neste site e no www.cblc.com.br.
NEGOCIAÇÃO
Para negociar no Mercado Futuro de
Ações, o investidor deve proceder da mesma forma que já o faz em qualquer outro
mercado da BOVESPA.
Deve dirigir-se à Sociedade Corretora
de sua confiança e na qual já tem cadastro para operação em Bolsa e, após
atendidas às exigências da Corretora, basta dar a ordem para comprar ou vender
a futuro o papel que desejar e nas condições que especificar.
As informações necessárias para o envio
de ordens de compra/venda de ações no Mercado Futuro de Ações são as mesmas
vigentes para o mercado a vista da BOVESPA. No mínimo, devem ser informados: o
tipo da operação (se uma compra ou uma venda); a quantidade (em múltiplos do
lote-padrão do papel); o código de negociação (o código do papel/vencimento no
Mercado Futuro de Ações); e a condição de preço.
Como no mercado a vista e de opções, os
principais tipos de ordens poderão ser: a mercado (significa que o investidor
aceita o preço que estiver sendo praticado naquele momento); limitada (quando o
investidor fixa o preço máximo ou mínimo pelo qual deseja operar); e
administrada (aquela em que o investidor autoriza, à Corretora por meio da qual
está operando, a escolha do melhor momento para a execução da ordem).
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DE NEGOCIAÇÃO
As transações no Mercado Futuro de
Ações podem ser realizadas tanto no pregão Viva Voz quanto via sistema
eletrônico de negociação, acompanhando o local de negociação da ação
subjacente.
O lote-padrão das ações negociadas no
Mercado Futuro de Ações é o mesmo vigente no mercado a vista desses papéis, bem
como a forma de cotação. Ou seja, as ações são transacionadas em múltiplos de
100, 1.000, 10.000 ou 100.000 ações, conforme o tamanho do lote para a ação no
mercado a vista, e são cotadas em R$ por ação ou em R$ por mil ações, seguindo
o mesmo padrão do mercado a vista.
É permitida a realização de operações
day-trade no Mercado Futuro de Ações, ou seja, podem ser realizadas operações
de compra e venda a futuro dos mesmos papéis, para o mesmo mês de vencimento,
em uma mesma sessão de negociação, por uma mesma Sociedade Corretora e por
conta de um mesmo comitente. Tais operações são liquidadas por compensação
financeira, em valor equivalente à diferença entre o preço de compra e o preço
de venda.
Assim, se o preço de compra for
superior ao preço de venda, o investidor deverá pagar a diferença entre esses
dois valores, multiplicada pela quantidade de ações negociada.
Se o preço de compra for inferior ao
preço de venda, o investidor terá o direito de receber a diferença entre os
dois valores, multiplicada pela quantidade de ações negociada.
REGISTRO DAS POSIÇÕES
Todas as operações efetuadas no Mercado
Futuro de Ações da BOVESPA são registradas na Companhia Brasileira de
Liquidação e Custódia CBLC, no mesmo dia da realização da operação (D+0).
A partir do registro, a CBLC passa a
ser responsável, como contraparte e exclusivamente perante os Agentes de
Compensação, pela liquidação de todas as operações.
FORMAÇÃO DE PREÇO DE NEGOCIAÇÃO NO
MERCADO FUTURO DE AÇÕES
Os preços negociados no Mercado Futuro
de Ações são formados pela interação entre a oferta e a demanda por determinado
papel nesse mercado. Assim, se houver mais investidores interessados em comprar
determinado papel a futuro para um específico vencimento do que investidores
que queiram vendê-lo, a ação naturalmente obterá uma elevação no seu preço,
pois os investidores estarão dispostos a pagar mais para obterem o papel e
vice-versa.
Entretanto, esse preço praticado em mercado
gira em torno de um preço calculado para o papel, chamado de preço teórico ou
preço justo, cuja formação se baseia no princípio de que o preço justo de
negociação no Mercado Futuro de Ações corresponde ao preço do papel no mercado
a vista mais uma taxa de juros.
Visando a auxiliar sobre a conclusão do
preço justo, vamos supor que os preços no mercado a vista e no Mercado Futuro
de Ações hoje são exatamente iguais. Nesse caso, em qual dos dois mercados
seria preferível assumir uma posição de compra?
No Mercado Futuro de Ações! Mas por
quê? Porque comprando no mercado a vista, o investidor teria de desembolsar o
valor total da operação em D+3, enquanto no Mercado Futuro de Ações bastaria o
depósito de garantias, com o pagamento total efetivando-se apenas na data de
liquidação (V+3) e isso se o investidor optasse por levar o contrato até o
vencimento. Desse modo, o investidor poderia utilizar o montante não
desembolsado em aplicações livres de risco, auferindo assim uma determinada
rentabilidade.
RELAÇÃO ENTRE PREÇO A VISTA E PREÇO
FUTURO
A relação entre o preço a vista e o
preço futuro de determinada ação é dada pela diferença entre a cotação de uma
posição a futuro e a cotação a vista do ativo subjacente.
Base = Preço futuro - Preço a vista
O valor da base depende, entre outros
fatores, do custo de financiamento.
Portanto, em geral, o preço dos papéis
no Mercado Futuro de Ações será superior aos preços vigentes no mercado a
vista.
ENCERRAMENTO ANTECIPADO DE POSIÇÕES
O investidor detentor de uma posição
comprada ou vendida no Mercado Futuro de Ações, que não deseje ir para
liquidação física, pode sair de sua posição no Mercado Futuro de Ações por meio
da realização de uma operação de natureza oposta envolvendo os mesmos papéis e
mês de vencimento. O resultado será a extinção de posições até então
existentes.
Assim, se o investidor é detentor de
uma posição vendedora de 100.000 ações X, que vence, por exemplo, em dezembro,
e deseja encerrar sua posição no Mercado Futuro de Ações antes do dia de
vencimento, ele poderá comprar 100.000 ações X no Mercado Futuro de Ações com
vencimento para dezembro. Dessa forma, ele estará anulando sua posição
original.
São aceitos encerramentos totais ou
parciais de uma mesma posição, destacando-se que o encerramento antecipado de
posições pode ser realizado a qualquer momento, desde a abertura da posição até
o dia de vencimento do contrato.
A liquidação do encerramento antecipado
de posições é exclusivamente financeira, com o preço de liquidação
correspondendo à diferença entre o preço do negócio de encerramento e o preço
de ajuste do dia útil imediatamente anterior.
Por exemplo:
Um investidor detentor de uma posição
de compra futura de 500.000 ações A, com vencimento em outubro, deseja se
desfazer de parte de sua posição. Ele vai à Sociedade Corretora por meio da
qual opera e dá a ordem para vender no Mercado Futuro de Ações 300.000 ações A
com vencimento em outubro. A operação é realizada ao preço de R$ 105,00 por
ação.
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Posição inicial do investidor: |
Compradora de 500.000 ações |
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Operação de encerramento
parcial: |
Venda de 300.000 ações |
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Preço da operação de encerramento: |
R$ 105,00 por ação |
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Preço de ajuste do dia anterior: |
R$ 104,58 por ação |
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Valor da liquidação do encerramento: |
VL = (105,00 - 104,58) *
300.000 |
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Posição restante: |
Compradora de 200.000 ações |
VENCIMENTO
Vencimento no Mercado Futuro de Ações
significa o último dia em que um contrato futuro pode ser encerrado por meio da
realização de uma operação oposta no próprio Mercado Futuro de Ações.
Os contratos futuros de ações
nego-ciados na BOVESPA têm como dia de vencimento a terceira segunda-feira do
mês do contrato.
Se o dia de vencimento for feriado ou
não houver sessão de negociação na BOVESPA, será transferido para o primeiro
dia útil subseqüente.
Após o encerramento desse dia, não mais
será possível negociar as posições que se mantiveram abertas no Mercado Futuro
de Ações para aquele vencimento, devendo as mesmas ser liquidadas fisicamente.
LIQUIDAÇÃO FÍSICA
As operações no Mercado Futuro de Ações
que per manecerem em aberto após o fechamento do dia de vencimento terão
obrigatoriamente liquidação física, ou seja, o investidor que, findo o último
dia de negociação, permanecer com uma posição comprada de ações receberá as
ações e pagará por elas o preço de liquidação apurado na data do vencimento.
A liquidação física ocorrerá no
terceiro dia útil posterior ao dia de vencimento do contrato (V+3).
PREÇO DE LIQUIDAÇÃO
O preço de liquidação das ações que
forem para liquidação física será igual ao preço médio dos negócios com a ação
no mercado a vista realizados no segundo período de negociação do dia.
No caso de, por qualquer motivo, ser
impossível o cálculo do preço de liquidação, a BOVESPA arbitrará esse valor.
O valor da liquidação financeira das
posições mantidas em aberto ao final do dia de vencimento será dado pela
seguinte fórmula:
VL = PAan * Qan
onde:
VL = Valor da liquidação financeira
PAan = Preço médio da ação "a" no período da
tarde do mercado a vista do dia de vencimento
Qan = Quantidade de ações "a" da posição no dia
de vencimento
Assim, se o investidor encerrou o
último dia de negociação para determinado vencimento com uma posição compradora
de 1.000 ações A, deverá pagar à CBLC o valor equivalente a:
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Quantidade de ações para liquidação
física: |
1.000 |
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Preço médio da ação A verificado no |
R$ 103,00 |
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Valor da liquidação financeira: |
R$ 103.000,00 |
CODIFICAÇÃO
Os códigos dos papéis negociados no
Mercado Futuro de Ações são semelhantes aos códigos utilizados no mercado de
opções. As primeiras quatro letras correspondem ao código da empresa, seguidas
de outra letra que indica o mês de vencimento, seguida por um ou dois números
que se referem ao código do papel (por exemplo, 4 indica que é um papel PN) e,
no final, a letra X indica que é uma operação no Mercado Futuro de Ações.
Por exemplo:
PETRB4X significa:
PETR: código da empresa Petrobras
B: indicação de que é um contrato que vence em fevereiro
4: indica o tipo/classe do papel (no caso, que é um papel preferencial
nominativo - PN)
X: indica que é o Mercado Futuro de Ações
As seguintes letras indicam os meses de
vencimento:
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Letra |
Mês |
Letra |
Mês |
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A |
Janeiro |
G |
Julho |
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B |
Fevereiro |
H |
Agosto |
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C |
Março |
I |
Setembro |
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D |
Abril |
J |
Outubro |
|
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E |
Maio |
K |
Novembro |
|
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F |
Junho |
L |
Dezembro |
GARANTIAS
Toda posição a futuro requer o depósito
de garan-tias do investidor perante a Sociedade Corretora, por meio da qual
atue, e desta perante a CBLC, atendendo a prazos, formas e montantes por ela
determinados, com o objetivo de assegurar o cumprimento das obrigações
assumidas.
Tanto o comprador como o vendedor a
futuro devem depositar as garantias iniciais e adicionais estabelecidas, as
quais são depositadas pela Corretora na CBLC e registradas em contas
individuais em nome de seus detentores, podendo ser executadas somente na
liquidação de seus débitos.
As garantias podem ser prestadas sob
duas formas: cobertura ou margem.
Cobertura
A cobertura refere-se ao depósito, pelo
vendedor, das ações referentes a parte ou ao total de sua posição vendedora.
Uma vez depositadas tais ações, o
investidor estará isento da prestação de garantias adicionais para essa
específica quantidade de sua posição vendedora, excetuando-se os ajustes
diários, que será obrigado a fazer sempre que solicitados.
O restante de sua posição vendedora,
não coberta, sujeita-se à chamada de margem.
Margem
Tanto o vendedor descoberto como o
comprador devem depositar garantias sob a forma de margem.
Para efeito de cálculo de margem, a
CBLC usa um sistema de administração de risco que diariamente avalia a
adequação do nível de garantias de cada investidor à sua exposição ao risco nos
mercados a prazo da BOVESPA.
O valor da margem corresponde à perda
potencial da carteira de ativos do investidor no caso de um movimento adverso
nos preços das ações subjacentes aos contratos. Para tanto, projeta-se o valor
de liquidação do portfólio do investidor, baseando-se em dez cenários prováveis
(cinco de alta e cinco de baixa), sendo o movimento do mercado estimado com
base na volatilidade histórica do papel.
As chamadas de margem são exigíveis no
mesmo dia da abertura de posições no Mercado Futuro de Ações ou da oscilação de
preço sobre as posições já existentes.
ATIVOS ACEITOS COMO GARANTIA
Os ativos aceitos como garantia são
aqueles estabelecidos pela CBLC, segundo suas normas e condições.
Diariamente, a CBLC avalia as garantias
pelo seu valor de mercado em moeda corrente nacional e aplica sobre esse valor
um percentual de deságio, de acordo com o respectivo risco (de mercado, de
crédito, de liquidez e outros). Os únicos ativos que não sofrem qualquer
deságio são depósitos em moeda nacional e títulos públicos de alta liquidez.
Atualmente, são aceitos os seguintes
ativos como garantia:
LIMITES DE POSIÇÕES
Visando a minimizar os riscos de uma
excessiva concentração de posições em aberto numa única instituição ou
investidor, o que poderia afetar a liquidez e a transparência do mercado, a
CBLC estabelece limites de concentração por instituição, comitente ou grupo
de comitentes agindo em conjunto ou representando um mesmo interesse para
posições no Mercado Futuro de Ações.
Os limites fixados pela CBLC para o
Mercado Futuro de Ações baseiam-se num percentual das ações em circulação no
mercado e podem ser consultados no site da CBLC na Internet.
A inobservância de tais limites é
condição suficiente para o encerramento compulsório das posições excedentes,
podendo a CBLC proibir a abertura de novas posições.
PROVENTOS
Quando uma empresa emissora de ações
negociadas no Mercado Futuro de Ações anuncia a distribuição de algum tipo de
provento, como dividendos em dinheiro, pagamento de juros sobre o capital,
bonificação em ações, subscrição de novas ações etc., esses eventos produzem
efeito sobre os preços ou quantidades dos contratos futuros em aberto. Há então
a necessidade de tratamento especial para tais posições, de modo a ajustar os
preços/quantidades às novas condições de formação de preço vigentes no mercado
a vista.
Os proventos deliberados pelas empresas
emissoras das ações subjacentes aos contratos futuros têm o seguinte
tratamento:
Proventos em dinheiro (dividendos e
juros sobre o capital)
Quando da distribuição de proventos em
dinheiro, o preço dos contratos futuros será ajustado no dia em que o papel
passar a ser negociado na condição "ex", deduzindo-se o valor do
provento líquido do preço de ajuste do papel do último dia "com",
independentemente da condição tributária do investidor.
Assim, supondo que a empresa X tenha
distribuído um dividendo de R$ 5,00 por ação, cujo último preço de ajuste
"com direito ao dividendo" tenha sido de R$ 98,00 por ação, no
primeiro dia de negociação na condição "ex-direito ao dividendo" o
preço de ajuste "ex-teórico" será de R$ 93,00.
A partir dessa data, suas negociações
no Mercado Futuro de Ações também serão realizadas somente na condição
"ex".
A CBLC converterá os papéis para a
condição "ex" automaticamente e a liquidação dos contratos será
realizada com papéis na condição "ex".
O valor dos dividendos correspondente
às posições mantidas em custódia a título de cobertura de posições a futuro
será creditado normalmente aos investidores, de acordo com os prazos e
procedimentos estabelecidos pela CBLC.
Proventos em ativos (bonificações,
desdobramentos, grupamentos etc.)
Quando da distribuição de proventos em
títulos, como as bonificações em ações, as posições em aberto no Mercado Futuro
de Ações permanecerão na condição "com", bem como a negociação no
Mercado Futuro de Ações, ou seja, a distribuição de bonificações ou qualquer
outro provento em ativos não implicará qualquer alteração na quantidade e/ou valor
das posições em aberto.
Já na liquidação do contrato, a
quantidade de ações, bem como o seu preço, serão ajustados proporcionalmente ao
percentual do provento, ou seja, a liquidação será efetuada com títulos
"ex" ajustados em sua quantidade e preço.
As quantidades de ações mantidas na
custódia a título de cobertura de posições serão ajustadas automaticamente, de
acordo com os procedimentos usuais da CBLC.
Subscrição ou outro tipo de preferência
As posições a futuro serão convertidas
para a condição "ex" , com os preços de ajuste dos contratos futuros
sendo ajustados, na data em que o papel passar a ser negociado na condição
"ex", por meio da dedução do valor teórico do direito de subscrição.
O valor teórico do direito, por sua
vez, corresponde à diferença entre o preço "com" e o preço
"ex-teórico" do papel.
Os detentores de ações depositadas como
cobertura de posições vendedoras, caso desejem exercer seu direito de
subscrição, deverão manifestar sua intenção à CBLC nos prazos por ela
estabelecidos. As ações assim subscritas serão de propriedade do vendedor, não
se incorporando à posição a futuro.
TRIBUTAÇÃO
CPMF
De acordo com a Instrução Normativa 42,
de 2/5/2001, incide CPMF à alíquota de 0,38% sobre o resultado líquido dos
ajustes diários, se negativo, por ocasião da liquidação das operações
contratadas (day-trade e encerramento de posições). A Sociedade Corretora é
responsável pela retenção e recolhimento da CPMF (artigo 3, inciso V; artigo 5,
inciso III).
A CPMF terá por base de cálculo a soma
algébrica dos ajustes diários ocorridos no período compreendido entre a
contratação inicial e a liquidação do contrato.
Dessa forma, sobre os lançamentos
relativos aos pagamentos dos ajustes diários intermediários das operações no
Mercado Futuro de Ações, compreendidas entre o início da contratação das
operações até sua liquidação final, não incidirá CPMF (artigo 8, inciso VI).
IR
De acordo com a Instrução Normativa 25,
de 06/03/2001, artigos 24 e 28, incide IR à alíquota de 20% sobre o resultado
positivo da soma algébrica dos ajustes diários ocorridos no mês.